terça-feira, 8 de novembro de 2016

aires nos meus ares

te conheci no outono
passei frio com você no inverno
na primavera senti suas flores,

vi sua flor

e agora anseio pelo calor do verão
que deixa nús os corpos
e fumega o pavio da minha expressão
em existência ariana

me ascende
ascendente
e inflama
flâmula
estoica de
profetas e profecias
falso, verdadeiro
certo, errado
e, assim, eles
nos amordaçam
aprisionam
roubam-nos
o que temos de melhor:
o Eu Sou!
quebram o caniço rachado
apagam o pavio fumegante

mas
a palavra
escrita
dita
não volta vazia
vai
enche e
preenche
algum lugar

e aquela ponta de brasa
reacende
ascende
ascendente
fogo
aires
nos meus
ares

e todo aquele
calor nos meus lençóis!