quarta-feira, 24 de maio de 2017

ao som de cada palavra
uma gota pingando,
ecoando
bem baixinho
só pra me lembrar
que aqui dentro
também guardo palavras

q nem as gotas da chuva
pingando e secando
fazendo a gente desejar sol
e depois arrepiar
com a brisa quente
do ar de seu pulmão
em minha pele
dilatada
toda dada
ora rija.

nada

nado.
mergulho
desejo suas marés
tenho seu sal
a porção seca
de todo seu mar
mas ainda assim
me molho
só em ver você
passar
no meu mar
sendo seca
sendo ilha
sendo terra pra mim
e mar para o resto
de todos nós

ainda desenfreada
tenho mais vazio
agora,
e menos eu,
só pra poder me encher
de eu sou


domingo, 14 de maio de 2017

o céu eh branco
nessa seis horas de
amanhã que nunca chega

acho que eh branco
porque eh frio gelado
que nem meu peito
nesse resto de noite manhã

sexta-feira, 12 de maio de 2017

era eu em todas as eras!

sexta-feira, 28 de abril de 2017

espelho

o que eu vejo eh isso:
cabelo corpo olhos
boca nariz queixo
ombro flecha
peito barriga
ela, vagina
pernas, furacão
pé pés
dando um jeito
de ficar em pé
medo
estranheza
e olho de novo
fico olhando
demorada
só olhando
sem dizer nada
só olhando e
gostando
e sendo isso.
ser eu
ter eu
ver eu
eh um dia de cada vez
nessas quartas
e desde os elos de saturno
eu venho
me tendo
me vendo
me sendo
toda ouvidos
em colo de olhos
tentando apagar o que não me diz respeito
só pra hoje
sopra oiá
só pra hoje
ser o dia de dizer pro espelho:
-espelho, eu...

terça-feira, 18 de abril de 2017

agradecida
foi assim q você me disse que
tava se sentindo quando eu perguntei
e eu também, pensei,
mesmo com os caldos
na beira do mar
caótico
caldos que eu recebia
pra entrar

um pouco
mais dentro,
porém
era mais calmo
foi mais calmo
está sendo mais calmo
até que de novo
as ondas
me lembram
que o mar é um
caos infinito
de tempo e tamanho
que se faz de 3 moléculas
forma triangular
criando todo
um outro universo
com milhares
de espécies e vidas
nascendo e morrendo
todos os dias

eu sou o mar
que nasce e morre todo dia
e nasce e morre
pedaço
pedaços de mim
desencaixados
pra tentar cumprir
forma não triangular

quis ficar só de calcinha na praia
mas num podia
porque tudo era só sexo

quis beijar minha mina na rua
e beijei
porque nem tudo era só sexo

enquanto escrevo
risco seu nome na areia da praia
e rezo, medito, oro e, também
muito agradecida
percebo que comungamos
da mesma fé
dita em livros diferentes
e você me ensina
a traduzir esse amor que me foi dado
e me desengasga

entre eu e o mar
nada mais há
que impeça d'eu ir lá
nem sermão,
nem irmão,
nem patrão,
nem medo do cão
sem medo de solidão
sei que se eu mergulhar
por baixo da onda,
me lançando no caos,
eu encontro a calmaria
de ser e cantar e viver
e morrer
como as pétalas amarelas
daquele blues que eu amo

fogo queimando
áries
buscando calmaria
de calor, afago, quentinho
e fritando sim, quando preciso

isso pra mim
tá sendo
calmaria
de verdade:
afundar nas ondas
do mar e saber
respirar e
poder fritar e dizer
e saber quem
eu sou!








segunda-feira, 17 de abril de 2017

elo, ela

elo, ela
unindo
guerreira
amante
poeta
cantora
garota elo

deusas
bruxas
fadas
todas
nós
em
cada
uma
do que
sou
do que
somos!

do que fui
do que fomos
do que,
juntas,
já somos!

04 abril 17

vem trazer pulseira
presente do mar
nessa quinta feira
dia de yemanjá

trago isso aqui
peito aberto
sem tentar fingir
nem ser tão esperta
ao ponto de insistir
encoberta só pra
tentar ser
a coisa certa

trago minhas mãos
trago meus pés
trago meu coração
e essa canção
que não tem que ser certa
pra me redimir
descoberta

salvador 3

salvador, 07 de janeiro de 2017.

o ano começou assim
sol, vento, praia e o mar, a mar
todinha lá, como se
pra me encantar e encantando
em canto, num canto, en
cantou e cantou final feliz
 mas não era final
era começo que se celebra com funeral
(por isso pareceu fim)
mas não era fim
dos restos mortais
ressurge uma
alada criatura
de antes
agora
de nunca mais
se junta
junta aquele resto
e leva pro templo
do sol

o ano começou
com
eu abrindo o olho e
vendo coqueiro
carregando fruto
mas se ninguém sobe no pé
pra ir buscar côco
seu ninguém bebe dessa água

com cara de paraíso
parecia o dia
com cara de paraíso
parecia a vida
e eu lá no meio dela
mergulhando e sonhando gotas
salgadas do mar
e a última oferenda do ano
dessa vez
teve sabedoria ancestral
pra explicar que mar,
que vento e caminho
podem ter nome e,
nesse caso,
yemanjá
que guarda pedido
e na hora apropriada devolve
o que não é de mar.



pra telma

indo de volta pro rio
pra ver o mar
e que saudade agora
que anseio
pra ele, pra ela
fazer prece e chorar,
prefiro orar assim,
neste lugar de sossego
e calmaria
aquele meu canto, seu
de almofadas e tapetes
gosto do gosto
das conversas
e das massagens
e dos risos
e das cores
e dos cheiros
e do jeito que você
fala de política comigo
e me mostra seguir, caminhar
jornada

e sorri, simples assim.

sábado, 1 de abril de 2017

conto ao meu ser

conto ao meu ser que horas são e o que devo fazer
ele parece não me ouvir
e me convence a ceder

conto ao meu ser que horas são e o que devo fazer
ele inquieta-se, pedindo que
eu lhe conte outro tipo de história, por favor!

conto ao meu ser que horas são e o que devo fazer
ele se distrai com as próprias horas e
não quer mais saber de mim

conto ao meu ser que horas são e o que devo fazer
ele se assusta, depois de longa espera,
e volta a prestar atenção em mim

conto ao meu ser que horas são e o que devo fazer
ele se questiona,
não aprova, não entende, mas está disponível

conto ao meu ser que horas são e o que devo fazer
e só agora ele entende que sempre foi hora
era só fazer acontecer crer
sofro as consequências de não me sentir integralizada em todo o enredo que me atrevo a participar, mas refugio-me na esperança de que as forças unidas abreviam o tempo de espera das transformações que anseio para minha vida e estruturas. quando outros olhos me vêem eu me vejo e começo a tomar parte de mim e vou me conhecendo e tateando aqui ali, e, ao invés de uma estrangeira medrosa, me vejo como uma estrangeira curiosa, desbravando isso tudo que tem aqui dentro desse meu ser.

sem titulo

chocolate no congelador?
sim, eu sei, tá chuvoso o tempo,
mas nessas terras de cá
inverno é quente e verão é frio!
frio, nem tanto!
sempre há calor
pra uma cerveja gelada
com as amiga
e sempre há frio
pra caber num chocolate quente
de qualquer café
ou naquele do pote
que tem na sua geladeira

porque bom mesmo é estar com vc!

quarta-feira, 29 de março de 2017

era um sonho
uma estrada
um caminho
e eu andava
ora
defumando
velhos quartos
ora
serpenteando
na mata
que quando
mostra caçador
mostra também ofá
e tambor
e corda
e pena
e flecha
e som
e faz ventania
a mesma
que a ele
que a mim
deu existência,
sopro de vida!

e viveu
e vivi
e sonhei
...
corro e canso
paro, descanso
tomo o fôlego
brisa de vida

ventando nu pescoço
dançando descalço
sortilégio
escorrendo na rua
limpando beco
e tudo quanto eh esquina escura

eu vento
ela sopra
eu nado
ela molha
e me navega
e me escorrega
e ela rio
me leva de volta
pra lembrar que
esses espasmos de vida
me acontecendo é
a vida, a verdade e o caminho
que me leva de volta pro mar.
a casa
a vida do ipê
a lua, essa de cá
essa de lá
de cima
do céu
do alto
a minha em capricórnio
mostrou caminho
e eu me vi mulher
nesse canto de cá
que era pra erradicar invasão
e erradicou a solidão
de mim mesma.

não mais só
nem mais ausente
água com hortelã e gengibre
mata minha sede
as folhas e ervas
que lavam meus pés
me faz ver território
e pedaço de mim e
daquilo tudo que só agora
existia e existe na eternidade
sem fim nem começo
esse simples e gostoso agora
que a gnt anda aprendendo a viver
aqui na casinha...

a gnt se embala uma à outra
em cantos
e
voz acorde tecla corda
e batidas
e sonhos e escolhas e medos
se fundem
e a gente existe
e se recorda daquela dor antiga
de não poder ser
e ser
mesmo assim, doendo
só pra mostrar que a gente pode

a gente pode sim cantar!
hoje acordei madrugada
em horário que a lua me acorda
quando tá crescente e cheia
acordei madrugada e abri janela
pra pedir sopro do céu pra ninar
[tinha que acordar cedo e essa madrugada agora desperta
reclamava tempo pq eh nele
que ela repousa]
mas num adiantou
reclamava mais alto
aqui do alto
a vontade de ter você
aqui em cima ou aí embaixo
na rede ou na cama ou na grama
ou na cachoeira ou até nessas
claras águas!

Pra saudar saturno

desentulhos
tralhas
acumulei-me
texturas
tecidos
brincos colares
fotos
cores
pedras
(uma de cada tempo
de
canto diferente)
máquina de escrever

nina simone
medo
affair de mulher

taça, ela
cassia eller
reflexo de cor e eu
sentada na cama
rio e me exibo
pra mim, pra ela
e marca branca
daquele sol do inverno de lá
me conta do "caderno ao corpo"
cadernos
aqueles antigos
que contavam
histórias de
onça enjaulada
e muda que
nunca soube ser ovelha,
nunca 'soub' de nada,
nem ser nada além
dela mesma
e, agora,  ascendendo em aires
(que desde ontem rege o sol)
aprende bea ba
dos astros
e já sem medo de errar
pergunta e
aprende a mudar pensamento
num lugar onde
amor e eu sou
se equilibram
nesse caminho do meio
nessa dualidade de
existir em libra


Saudade

antes de vc ir
desejo vc aqui de novo
e sinto dorzinha de medo
de dor maior e
lágrima
aí lembro que lágrima
tem gosto de mar
e saudade também
traz mar de volta

então

vai lá
e traz um pouquim
de mar pra mim?

e encontra com ela
yemanja
rio nua
e diz, no pé do ouvido dela,
que eu aqui também
me derramo em
saudades

aries

eu nunca quis ser eu
nunca quis acho
que porque nunca soube
nunca me via no sonho
e eu não sabia que Yung
já me explicava
explicava que
o que eu projeto
sou eu

um tanto de gente
tentou me contar
antes pai e mãe,
irmãos irmãs
primas,
pastor, pastor...
amigas
e vc sempre me vinha
bondosa mas não presente
pois eu sou,
habitando em mim,
ainda não se revelava
até que a fé,
affair de guerreira,
ergueu espada
sobre entulhos
escombros
e louvou
rimou
cantou...!

e
ascendeu
aries
fumegou
platinou

e
sonhou
cantou!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

ela anda pra trás de boa
igual anda pra frente
e quando anda pra trás
desconstrói a minha lógica
e me desarmoniza
me desumaniza
e me carangueja
e tomo esse espírito
de não ter olhos para trás
e, ainda assim, dançar e
andar pra todos os lados
com a mesma destreza

volto
ando depressa
igual esse caranguejo amarelo
que chega bem perto
só pra me olhar e me contar
isso de
andar depressa pra trás
mesmo olhando pra frente
e agora
de volta a estar só
nesse meu gigantesco mundo

tenho medo

estar só nele
sempre foi pavoroso
cheio de quartos escuros
e velhos e empoeirados
até que em dias comuns
pessoas comuns
de encantamentos
foram chegando
e limpando
e pintando parede
tirando mancha velha
e o quarto agora me
recebe pra tocar violão
e cantar e habitar também
afinal, fui descobrindo
tantos lugares novos em mim

o de chorar, o de sorrir,
o de cantar, até o de me amar
e amar e sonhar com ela linda
e nua e gozar
o de imaginar
o sol sendo rei pra todos
o de escrever poemas
de aniversário
e o de guardar
poemas inadequados
o de sofrer ausências
e nesse lugar me refugiar
e descobrir que a única
ausência que não posso ter
é a minha
eu sendo em mim

e os quartos vão se limpando
defumando
velhas tralhas
magoas
fazendo correr
água de limpar
e deixar brilhando
essa casa
que, enquanto não
estiver em si,
não servirá
de abrigo, nem
de lugar pra sonhar.

guenta só mais um pouquim
que os quartos estão sendo limpos!

e aqui dentro
ainda tem muito
lugar pra sonhar
tô juntando cacos
e ao mesmo tempo
poetizando mágoa
que com mais cor,
faz mais cor ainda
e eu começo a acreditar
e, crendo,
vejo sol brilhando no ipê
e chuva fazendo a gente
se encolher e se apertar
na casinha, e agora,
já não mais caranguejos,
somos humanos
e cantamos e tocamos
e rimos e amamos

assim,
eu e a casa
a casa e eu
em qualquer quarto
ou quarta
somos e vivemos
e existimos

e,
mesmo sem
entender nada
significamos
nossa existência