segunda-feira, 5 de novembro de 2018

estrondoso som de trovão
e eu querendo entender
que barulho era esse no meu coração
olhares colares salto alto
e aquele tanto de gente
me fazendo tremer aqui dentro!..

sólida solidão
espera áspera
causos contados cobrados
calcário
olhar pra longe
como se algo em algum lugar fosse a resposta
mas eu sabia.
eu sabia desde ontem que
certeza mesmo
eu nunca tive de nada
será que um dia eu vou ter certeza de alguma coisa?
e sem me dar cobra, existo
sem precisar saber o que é o oxigênio pra respirar.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

honestidade implacável
sustentação sistemas sustentável
sustentabilidade
sustenta!
não adianta chorar o leite derramado
egregora que espalha o ódio
desonra total
fogo estranho consumindo
estanho pólvora estrondo
atmosfera fera 
feroz ferida
fere o horizonte e não mais espera
espeta o som com seu estrondo
e anuncia o início de mais uma era
não adianta chorar o leite derramado
tudo era espera
esperma derramado
9 meses
e cega 
agora é só o futuro que nos espera
já passou tempo demais
modernidade também tem caos
cai baderna 
taverna taberna
caverna dos antigos discidentes
descendentes do ramo
toma lá dá cá
e agora?
quem é que governa?
a ordem instituída não mais me contempla
tampouco o ramo que há em mim
o mesmo de jessé jesus eunices e marielles
o podre de nós às vezes se veste de padre
pastor...
o estranho de nós é um dia querer merecer

nunca! 

esse merecimento aí nunca vem!
e talvez sorte seja o sentido mais real 
da palavra amor
um norte para guiar seja pra onde for


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

não 
não me silenciem
ainda que a dor do meu sossego seja só
desassossego mesmo
a cruz
a espada
as chagas do curador
marcas de faca na garganta e no peito
pra provar que amor é motor
e até mata se o medo congela a alma
e dá vontade de limpar é no sangue dele
meus pés!
eu não sei o que me dá
mas já nasci assim
eu sou eu desse jeito mesmo
e descobri que o universo faz e eu aconteço
e o inverso também
há perigo nas esquinas
assassina má perigosa
mostro os escrombos de mim
mas ninguém vai falar das sapatão assim
ora, deixa a pessoa ser ela! 
não corrijo 
mas também não quero que
me corrija com normas e regras
como a coruja estufo o peito e fixo o olhar
eu sei da espada, eu sei das chagas
sabedoria nata de quem já nasce assim
sabe o lugar onde até florescer é indecente?
lá eu fui eu desde sempre
ser gente era garantia de ser incluída
e ser eu implicava em quebrar com verdades instituídas
eu existia e só o fato de eu existir
não combinava com o que os meus irmãos
queriam de mim
óbvio que o reino de deus não foi feito pras lésbicas, se ele foi construído 
por mãos brancas masculinas ocidentais!
dá vontade de matar
de subir em cima 
e sufocar tudo isso que me sufoca
o meu ar rarefeito
nesses tempos de pouca oxigenação
entala um gemido na garganta
e,
lembra daquela última sardinha da lata?
é hora da gente começar a aprender 
somar e dividir! 






pra mim
o significado da cruz
é não ser mais necessária
nem mais usada

um santo foi pendurado nela
só pra provar que ela falha
e que não adianta arma
porque a espada
pode até arrancar a orelha do soldado
mas não desata o nó que prende 
açoita mata 
crucifica!

não mais!

eu não preciso mais carregar cruz de ngm!!!
sim, pq a cruz não era dele, né?
era do estado romano!
e os religiosos se aproveitaram do estado 
pro ódio descancarado

pediram a cruz 
e foi o estado que a enfiou, guela abaixo

entende que 
se ele era santo 
ela era injusta?
foi abominada!
abominada?
e por que ainda tem gente que me julga
e quer me condenar?
depois de dois mil anos
o estado laico evangélico
diz o que pode e o que não pode
quem foge
que note a ausência de amor
só eles que podem ser perdoados
que nem o devedor incompassivo
somos merecedores, dizem
meritocracia
eu digo: mentira!
lorota pra enganar empregado 
achando que é patrão, onde é opressão! 
sempre há algo que oprime:
meu medo
minha angústia
meu ódio
e acabo oprimindo

sei de inveja
mas também sei de entrega
de alma antiga que muda história
quando ama 
e perdoa
séculos de intolerância
e é inesgotável a fome a ganância

tribos satisfeitas 
com seu jeito tribal de bem viver
aí chegam os brancos donos colonizadores
e começam a dizer como devem pensar e agir

e quem não aceita,
morre!

não é mais permitido contar história 
nas escolas
e será que tudo isso vai virar lenda
e a gente vai fingir que é tudo poema?
a pena conta desde antes
as mesmas histórias
em tintura vermelha
a mesma cor vermelha de sangue derramado

é ... acontece!!!

acontece todo dia.
não é filosofia de professor comunista não!
não adianta rezar e dizer 
que é de deus todo trabalho
se é eu que tô aqui 
vivendo nesse corpo, nessa pele! 
acho que uns anjos às vezes até vêm
mas não fazem o que eu encarnada posso fazer!
acho estranho votar em torturador, 
dizer que já passou e pedir paz
sou eu que voto, né? não é anjo!
deixar todo o trabalho pra deus e
achar que pra tortura o erro é culpa, não dá!
o trabalho é meu
é seu!
e trabalho não é só o que produz dinheiro
produzir amor é trabalho!
produzir perdão é trabalho!
beijar e abraçar é trabalho!
sorrir e chorar e cantar e existir é trabalho
e não tem como a gente fugir 
disso tudo que somos!

e às vezes 
todo mundo esquece
e só resta a prece!

todo dia uma morta, 
uma morte
um tiro, 
e mais tiro eles querem!

#elenão! #elenunca!













segunda-feira, 29 de outubro de 2018

fez um silêncio
o atabaque parou
batucou meu coração
e acelerei o movimento das pernas
da boca, dos dedos, coceiras
minhas manias todas em ansiedade
minhas dores minhas perdas
meus medos
minha depravação nos separando
minhas maneiras tortas 
e meu jeito inadequado do mau gosto
mau agouro de mim,
minha esperança dilacerada
dois lados
pedaços de carne vermelha coração
dilacerado
um tanto considerável de esperança
esperando um amanhã que nunca chega
e quando eu pensei que tava perto
que a gnt tava mais junta
mais forte,
levei um tiro
veio de supetão 
e me pegou de jeito
eu que pensava ser sacanagem
o ustra da tortura
ser lembrado e votado e adorado
arma de fogo forjando
um mito
um deus
um salvador
um julgador
que julga a minha dor
sem saber que meu amor 
não arranca pedaço de ninguém
nem espaço
não tome o meu espaço
não me culpe a consequência do seu pecado
nasci esquisita e torta
e briguei com toda a família!

não há salvador que me salve, 
senão eu mesma
pq não há sangue derramado que baste pra nós!
eles sempre querem mais! 

#elenão! #elenunca!

serei o arco que atira a fecha
e a flecha q fere o alvo
a filha do daniel q deserda
um empreendimento na caverna

eu sei que há vida fora dali
há luz onde só entra treva
há sombra pra descanso da luz
há alma pra seguir
há corpo pra correr
há esperança pra sonhar

acordei me lembrando que a gente junta 
tem mais poder que qualquer mito!

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

tem flor q nasce e morre todo dia
tem flor que só uma vez na vida
às vezes, de ano em ano
outras vezes, só em clima quente
umas gostam é de chuvinha fina
e tem as de chamego 
sem luz do dia
pra enfeitar nascimento
caixão buquê camarim

o que eu sei é que às vezes me sinto despetalada
de flor em flor
a seiva dourada do encanto mágico
das nossas folhagens em floração
perdura o cheiro suave
da textura pele pétala
em consideráveis gotas
de amor e tesão e imensidão
dentro de mim dentro das tuas cavidades
dos teus becos e lugares quase nunca visitados
escuros secretos mágicos
e eu 
des pe ta la da
me entrego
aberta
arreganhada
pra ser sua e nossa
em prazer

revoluciona o sol
revoluciona a lua
e meu coração 
músculo inteiro
vermelho
revoluciona
e pulsa ligeiro
porque tem medo
medo de ter medo de te amar
medo de virar a esquina e não poder cantar
medo de tiro tirar a vida das veias das sereias
medo de ter que lutar pra ainda acreditar
medo de não mais me emocionar 

estrada pontilhada 
migalhas
marcando passos pé a pé
uma flor caída, pisada, 
pétala aqui, ali
espalhada
do tempo e do espaço
eu só sei da passagem
eu só sei estar passando
e nunca pára! nada pára
nem o espaço nem o tempo
nunca para!
a flor pisada passa
e no topo da árvore
vem sorrindo a primavera
acolhendo as pisadas e as pétalas amassadas

como as estações elas passam
e ainda bem que passam

flor tem vida curta
e num dura a vida toda seu cheiro e cor
num adianta colocar aspirina
nem mudar a água toda hora

a pétala seca guardada dentro do livro
é também flor
a que enfeita o caminho tb é flor
as pétalas amarelas no cumbaia, é flor

é flor 
um desenho de nuvem
uma canção de cigana
a que foi roubada no caminho 
pra enfeitar um sorriso

e tudo passa, minhas irmãs!
tudo passa!
a única coisa que não passa 
é a eternidade de existir!

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

maria
susana
joana
estavam com ele ao lado, 
daquele lado
que seria furado pra
última gota sangue água

mas ele ainda ali vivo
perto delas 
falava pra um tanto de agricultor
o destino de uma semente 
quando sai da mão do semeador

elas, 
mulheres numa cultura machista
tinham a atenção dele
e ele não era machista
ele não, 
#elenão!
andava e se trocava com elas

e era assim o destino da semente:

beira do caminho
entre pedras e espinhos
semente lançada
pisada comida 
broto seco sufocado
mas me diga:
em terra boa nunca tem seca?
me diga se só há um jeito de semear?
o sertão virou mar e o mar virou sertão?
onde tem terra boa?
a do açaí é diferente 
da terra q faz a azeitona nascer

então é sobre o quê essa parábola?

nós mulheres  não somos só férteis de ventre
e por que é que nossos frutos só valem os do ventre? porque não falamos do algoz 
que nos rouba nos espeta nos cala?

então é sobre o quê essa parábola?

o semeador que saiu a semear
lança a semente, vai?
vai semear esperança
enquanto ainda dá tempo
vai aprender com esse ciclo pólos
da terra planeta água
nem boa nem ruim
terra
natureza sem borda
toda altar
e sai a semear
lembra que semente nunca repete
nasce cresce morre e nasce outra de novo
em outra flor de girassol
gomos de pinha condessa carambola
erva daninha trevo mamona babosa
tanta coisa que nasce em tanta terra diferente
aduba sangue unha cuspe magia
e umas vingam outras não
mesmo a terra sendo a mesma

então é sobre o quê essa parábola?

o semeador que saiu a semear
a semente que caiu, que vingou, que morreu
é o semeador q manda na direção do vento?
é o semeador q controla as aves de rapina?
é o semeador q compra a chuva e a seiva?
não! 

ele não
#elenão!

então é sobre o quê essa parábola?
o semeador que sai a semear
e as sementes q caem em terra propícia
cem por um, 
sem medida

nem terra, nem semeador, nem semente
controlam nada
então, me deixem viver
me deixem brotar, me deixem nascer
me deixem existir
me deixem florescer

#elenão #elenunca!

"eles escutam mas não ouvem, vêem mas não enxergam" Lucas 8




eu fiquei tentando entender 
o que tinha acontecido comigo
o quê tinha deixado meu corpo
tremendo 
agitado meus nervos 
frenesi
imaginei de primeira 
aquela troca energética de hoje cedo
e pirei em imaginar meu corpo despreparado
pensei na chuva q tomei com a haynna
pensei nas minhas 
inseguranças e dúvidas 
com a thabata
com o fabrício
pensei nos ensaios da bea

o que me faz bem?
o que me faz mal?
o que é o bem?
o que é o mal?
e porque na minha lógica
o mal faz doer o corpo 
e o bem faz carim na alma?
acho que dessa vez o carim da alma 
q fez doer o corpo, sei lá
e o que me veio foi
templo e altar
no meu corpo 
          [que é templo desse tempo]
eu faço altares 
pra deusa que habita em mim
que me expande 
que me chama pelo nome
ela se revela como a chuva
que integra céu e terra
           [isso mistura o tudo 
           que eu sou e tento separar]
e completa me completa
integra
me lava, me leva, 
no frio, no vento, às vezes gela
arrepio, gripe, tremedeira
se eu não aprendo a nadar
me afogo
e não é brincadeira não!
mas lá no fundo
pralém das nuvens 
eu a vejo, quase cansada de me esperar
se não fosse uma deusa!
e ela sorri e me chama:
danielaaaaa!






segunda-feira, 8 de outubro de 2018

um retorno
uma revolta
um revólver
dois lados
o bem o mal
duas ideias
ideais 
políticos

encontro na esquina
com o bem ou o mal?
tanto faz 
se pra alguns o mal
é policial
que quando junta com o exército
vem pra matar é o povo da rua
é o povo que sangra
o sangue da cidade sangra
o sangue da rua
veicula leva cura 
dirige lava passa empurra carrim 
atendente operário 
se muda a função de tudo
quem vai fazer girar o mundo?
é a gente junta que tem poder 
e se tem uma coisa que a rua sabe
é ser junta quando quer!
o poder é do povo junto!
homens honrados não salvarão essa nação
porque o mais culpados
são os que não se dão conta do seu lugar!
o ficha limpa é o kaifás
o judas o mais justo
caim o mais inteligente
e noé o louco beberrão

não é o que cada um fez que importa
mas o que cada um foi
o que cada um sabe de si
o poder de sentir o poder e dizer:


eu sou em mim!

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

um amor desses q me acorda com o primeiro pensamento:
saudade, mensagem,
emoção 
sensação de 
gosto gostoso 
nos poros 
pelos arrepiados
inflamáveis
quase incendiados
e o fogo daqui de dentro
em cuidado, 
pra não deixar queimar demais
vai fazendo alquimia
pq a gente sabe que não eh banho maria
mas também não precisa inflamar pele
porque seu gosto em mim e meu jeito em vc
não eh dor, um pouquinho de ardor de fogo,
mas não tem dor.
a gnt deixa o fogo pra queimar o beq
e elas 
[essas mulheres de mim e vc q nos guiam]
deixam algo a mostra
só pra mostrar pra gente que tão lá
abençoando esse nosso encontro
e param o tempo
só pra gente entrar nesse nosso espaço
mágico portal de eras que eram em nós

eu te amo desde antes
e vivi pra entender que
nem sempre lembrança é do que passou
porque lembrar do nosso amor agora
ao vivo, em carne osso água e saber 
que cada lembrança a gente toca, vive, acontece é presente!
e é nesse agora que eu quero te amar
pra sempre!



o complexo vem e me toma por completo
e eu, acreditando que sou mesmo um incômodo
me incomodo  
me incomoda saber que tem mais gente, 
todo mundo 
um mundo inteiro aqui dentro
e eu achando que sou apenas essa:
essa que todo mundo vê!
menos eu

o complexo me deu nome 
me guiou, foi meu condutor
e esse ego arrogante 
se calou sem saber como agir
o complexo aferruou-me 
bem no meio do pescoço
complexo eu, complexo ele
incompletos, eu diria
apenas um pedaço
um caco, um cacho
um pecado
um único jeito de ver
cacos de azulejo
continentes quebrados
espalhados pelo oceano

galáxias, asteróide, cometas
anjos e nós também
somos todos pedaços de muitos 
e todos os deuses e átomos
daqui 
e de lá

não sou o complexo
[mas sou complexa]
sou eu inteira
o complexo é um pedaço de mim
um inimigo, talvez
que me veste e 
naquele único jeito de ver
único jeito de existir
me deixo levar

o complexo me toma
há muito
muito tempo já passado
ainda presente 
embrulhado num papel pardo
nem preto nem branco
não como as teclas do piano
nem só 
nem sol sustenido

[uma dica de beleza sonora:
deixa a mão direita solta, livre
e se liga nas quartas]

quarta feira era sagrada 
a gira rodando lá em casa
e o complexo foi sendo visto
impresso, expresso, invadindo, invadido
e era gente demais 
lá fora aqui dentro
lá dentro aqui fora

o complexo me sangrou
me machucou, me arranhou
me fez gostar nada de mim
me escondeu de mim
me fez esquecer quem eu sou
me roubou pedaços de existência
esgotou-me a paciência
e eu fui caçar
fui em busca do que ia me alimentar 
cacei alimento pra essa 
mulher selvagem que se apresentava 
e que ia à caça!
eu não sabia onde,
eu não sabia o quê,
mas a fome que eu tenho
tem veneno
e não, 
eu não quero mais me sentir insuficiente
não, 
eu não quero mais sofrer a consequência
de deslizar na hora de lavar a escada

quero sol 
e chuva pra molhar a terra
quero poder matar a sede a qualquer hora
quero um sonho lembrado de manhã
quero a sabedoria da minha tia isabel

quero o encontro da minha carne 
com o meu espírito
que é ...:
quando eu toco ela e ela me toca
e nossos corpos se tocam 
e gemo, tremo, e entro
temo não conseguir, não poder, não saber

o complexo
[um outro de mesmo núcleo]
me invade 
a soberba do saber por saber...
oras, q bobagem 
se quando eu me descubro 
é indo no desconhecido 
pra rever e tecer
uma história antiga 
deu e dela

ninguém nunca deu conta de verdade!

nem jesus, 
que pobre coitado, morreu na cruz
e dizem que ele não comia, não dava, não gozava em dia santo!
que mentira! 
se pra ele santo era o presente da vida!

contei
esse canto de esperança 
pra um corpo que descansava na rede
numa entardecida terça
de céu com lua vazia
só pra explicar que a gente vai dando conta
é achando mesmo que não dá!

minhas pernas cansadas
vibram a cada passada 
um passado
agora
elas merecem descanso
não precisa pisar sempre do mesmo jeito, eu digo
outra de mim responde:
vou tentar mudar o jeito de caminhar

e a gente vai se entendendo
sendo bem mais que uma 

o complexo é o coiso, o causo
e cumpre o seu pedaço 
nesse meu eu integrado
inteira, eu
as personas se permitem
sem as persianas fechadas

das pestanas ao fundo do céu
água de sal caem em gotículas
terra, seca, dura, chupa
o pouco de água q os pingos de lágrima podem dar

o complexo 
me finda, me vence, me termina, me fode
me morre e morre junto, até q outra, 
eu outra 
apareça e vença os meus inimigos
a depender de pontos de vista
o complexo é o inimigo
inimigo q inibe tudo de bonito na gente
inimigo que em iniqüidade 
esconde a verdade do meu próprio ser

eu quero me ser completa
nascendo, crescendo e morrendo todo dia!
eu quero ser toda de mim mesma
sem mais nenhum pedaço espalhado 
desencontrado, perdido
descompletando a minha 
sempre incompletude 

perfeita já sei que não dá
o complexo não quer nem me deixar lembrar
só que a carne não precisa lembrar
pra começar a tremer toda
quando sinto o calor que precede seu toque
as faíscas dos seus dedos 
no meu músculo duro 
me derramando 
e é assim que eu tenho vencido meus inimigos
profanando 
o seu 
o meu 
mais profundo sagrado
me dando vida atravéz de ti

e o complexo agora
deve estar em algum lugar
invejando meu dom de passar.