terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

meu irmão disse
que ser obediente
era pra mim, que sou mulher.

pra ele,
o (cabra macho)
sobrava tenente, gerente,
até presidente,

e foi golpe! foi golpe sim!

mas pra mim num deu
fudeu!
fudi com tudo

e pra quê mexer nisso agora?
tem meu pai, meu irmão, o pastor
q tavam sempre a pregar
sim senhor
e se paciência é virtude
que seja tapando a boca calada das mulheres
que só devem dizer
sim senhor

mas pra mim num deu
fudeu
fudi com tudo

e sim,
a paciência de agora
era ter q explicar
que virtude, virtude mesmo
até se impacienta quando tem q tocar as teclas, as vestes, o arco
e num pode
por ter fluxo de sangue

hemorragia
xenofobia
homofobia
disfarçada
de amor que culpa
pra livrar da dor

insubmissa?
sim senhora
se for pra ter justiça
pra quem tem fome e sede de justiça

desobediente?
até o fim
se for pra calar meu ego
de parecer ser o que não é!

eu sou a livre passagem do espírito
só pra mostrar que é do jeito mais estranho q ele sempre se manifesta.

e eu lá, escondida,
desobedeci e toquei as vestes
não permiti que mais ninguém
viesse me dizer o que fazer
ferida de cristão que faz de eva a otária
ela tava era tendo a coragem de tentar
ser boazinha e fazer tudo certo pra vencer
foi quando adão comeu do fruto
que o pecado entrou
ele quis domínio quis mais terras
conquistou, escravizou,  a coitou,
violentou e mandou
os tribunais sempre foram deles
e deus estava sempre por lá
que deus?
eu não quero um deus q quer escravos
eu qro um deus que liberte a manada do curral

esse deus escravizou por séculos
por causa de romanos 5
e agora eles me fazem sangrar
por causa de romanos 2
mas a gente nem liga que eh história
finge que não tem nada a ver com a escravidão e repete os mesmos açoites
em nome desse q deus q eu rejeito

desobedeci

e vi que insubmissa
encontro mais virtude que aprovação
e posso sim!

mas, se vc me chamar de mula,
eu posso sim responder
sim senhora, pq a nossa história
me faz te reconhecer
na força e no desejo de justiça
firmeza
adoração pra mim
eh aquilo que você cantou no culto
não só pela letra da ludmila mas pela
voz de conquista autoridade e passagem
do amor de ser o melhor de si ali, cantando
a voz que arrebatou meu ser
e recebi unção de ousadia pra
conquistar mais corações insubmissos
unção de multiplicação

talvez eu seja mesmo o mal
mas quase nunca o bem esteve na voz de comando

sua voz...
voz de trovão
voz de furacão
nao dá pra ficar do mesmo jeito,  sabe?
o melhor pra mim foi aquela ministração de cura e liberdade
como podem me pedir o contrário?
não dá mais pra não voar
não dá mais pra ninguém
[mais nenhum homem] ter que ficar dizendo
o que eu tenho que fazer!










quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

era quase quatro e quarenta quatro
eu acordo.
portão, cadeado, livro e costelas
tudo aberto
abri também o aplicativo
e o tanto de papo em aberto:
um beq por fumar
uma mensagem de saudade
luna negra
lunação de capricórnio em fim

essa minha sua sede
cegueira q se vê
te vê pelo toque
e depois de voar mundo
e ir procurar a lua na rua

[bicha solta nesse céu sem moldura]

olho pro lado e sinto cheiro
que bebi sede
que amei cedo
que culpei travesseiro
e ocupei seu ombro a braço
e cobri meus pés daquele vento frio
de hélices a cortar o ar

penso minha sombra no vento
e eu me olhando daqui, de lá
sinto que ausência minha de toda parte
é pra lembrar
que só dá pra estar mesmo
num só lugar.






sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

inspirei a lua, respirei bem fundão,
pra ver se sentia vc aqui 
perto de mim!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

e..., esquisito!
sinto solidão e desespero ali dentro!
templo, tempo de concreto,
formas, púlpito, ternos e gravatas,
louvores
louvor ao custo total
e o lucro?
mais vidas? mais almas pro senhor?
e a minha alma? e a sua alma?
e a alma da minha amada
q só por ser “a”
não vale à pena, nesse caso,
seguir mandamento de amar

almas que amam
não cabem nesse reino
almas que amam
não cabem em nenhum pegureiro
almas que amam
não cabem nesse contexto
de amor que vale menos q dinheiro
almas que amam...

te aborreço!
eu sei que te aborreço.

quanto a gente custa?
quanto vale o sangue da cruz?
de quanto sangue mais vocês precisam pra amar?



ia todos os dias pro barracão a pé.
era lá que estudava e chegou a fazer piadas
com a garota nova da sala, a gina.
se arrumava e sabia ficar bonita e ser charmosa como ela mesma dizia.
mas ainda tão nova foi trabalhar na casa de gente rica
não queria, mas a mãe achou a chance pra boa educação da menina
ela foi, chorando, olhando pra trás quase virando estátua de sal
gente rica, fina, branca, bonita, tudo sem vida
povo mal educado num sabe dá de comer a uma menina
e quase vira mesmo estátua de
sal branco
saia branca
traje dominical de escola bíblica
e ia lá,
tratada como a empregada da família que era
ah mas num gostava
reclamava e apanhava quando chegava em casa

toda vez que ele mandava ela usar aquela outra saia,
já sabia
e patroa fingia que não via
e quase todo dia
menina sofria
em sonho fugia

pediu ao padre uma batina
pra mudar a rotina
e num sabia que mãe rainha
em algum lugar sabia
que era hora de voltar

a menorzinha nasceu
-e eles me levaram e eu
não quis mais voltar
nem apanhei mais
porque eu embirrei mesmo q ia ficar
e fiquei!

tinha vizinha
regina
q me dava animo de vida
comprava doce e fazia alquimia
com comida
e ela me levou pra conhecer livraria
fui morar com amiga da regina
que me ensinou um tanto de vida

voltei já moça, namoradeira
e sabia que tinha que arrumar alguém rico
pra casar.

advogado, morando em sobrado?

num dá pra ser por amor, sabe?
eu amava mesmo era um traficante safado da rua
que levou umas facada nas tripa

casou!
e um objeto de luxo virou
presa em casa, era maquina de orgia
fora de casa, só com ele
e apanhava se olhava pro lado

depois de até dedos dos pés quebrados
se juntou com uma amiga de agora
e fugiu.

tinha buraco no muro q dividia os dois lotes
o muro dividia e o buraco unia
voltou e a mão não quis mais
dá pra ninguém
passou pelo buraco e foi procurar vizinha,
aquela regina
e só agora entendia
o poder de cura do amor de amiga

foi ficando por aqui
vendo gente morrer na rua
pelos bandido, pela policia
vivendo
agua em carro pipa
asfalto passando na rua depois de tempos
a primeira escola de tijolo
as linha de ônibus
o postim de saúde

a mãe morre e ela pensava que era de desgosto
foi quando seu zé pilintra apareceu pela primeira vez
de chapéu vermelho e tudo
a padilha tava nela e num dava pra negar
-bora encaminhar os eguns pro lugar certo
e tentar viver em paz?
essa gente sabe que na hora do sufoco mesmo
num vai ter medico, nem advogado, nem estado
só vai vir os preto véi, as mãe guia, as puta e cigana poderosa
pra poder
ajudar.

vamo acender uma vela pro povo da rua?
e assim esse povo se une a varias nações
de agora ancestres e sobrevive
ao completo descaso do estado
luta com a espada de são jorge, com a lança de ogum
alfazema e alecrim,
abre caminho é que abre caminho mesmo
é remédio e patchuli

pru corpo pra alma e fortaleza

domingo, 24 de dezembro de 2017

ter vc pra mim
eh muito desse jeito capitalista
de pensar

aprendi a pensar assim
a ser assim

e esse meu jeito
grita aqui dentro
em várias vozes
caladas, mudas, silenciadas!
não posso nunca dizer
porque dizer eh perder você
pra um orgulho e egoísmo descabido
nesse novo mundo que eu tento habitar

reconstruí tudo:
cabelo, vestir, calcar, pensar... 
ainda penso demais
ainda nao aprendi a conectar o coração
nesse fio de ideia, razão, pensar
que na vitrine eh tao lindo e atraente

coração teimoso e turrão 
foge, corre, pergunta,  dá pitiiii
e acaba nao entendendo
e mesmo co'as ideia, razao
pensamento, livros, textos, posts...
ainda não entendo

me descubro só
se coração nao vai comigo
me sinto só 
se amor daqui de dentro
não entende amor daí de fora
e aí?  como faço? 
se eh isso que me afeta agora
eh disso que devo fazer meus ruídos?

ruir?
eh ruim?
rouco
ruindo
como o barulho
de portas se abrindo
e lá eu oro, agradeço

agradeço o som da sua pele
na minha:
pinta e flecha
cantaro e coração perfumando
e vejo que a flecha
eh antes pro meu peito
e eu sangro

pq nao aprendi amor com cupido,
mas com as chagas de cristo,

e enquanto sangro
vc enche o cântaro
e vem lavando
em cada canto
e dança
e ri
e me ama
e, se meu peito ainda sangrar
eh porque agora
eu só quero e só penso 

e só desejo amar!

sábado, 23 de dezembro de 2017

a minha voz
entalada
grunhinha
que nem passarim preso
que olhou o triste olhar
do homem que desejou
canto enjaulado
e enjaulou!
mas passarim,
diferente de mim,
cantou...
e despertou o
som do meu silêncio
da minha quietura
da minha solidão
despertou e me
acordou bem cedim!
pra eu ver o dia assim:
sol,
cheiro do cafe da regina,
luz do sol bem azulzim
deixando os verde das planta
bem verdim

uma sensação de que me pari!
eu cuspo a gosma gospel florescente
painéis, anéis, hotéis, quartéis
eu queimo no fogo pentecoste
incandescente
driblo a primogenitura
e descumpro o privilégio
de ter honra, marido, mérito, sanidade

des
merecida
meretriz
ridícula
incoerente
louca

- você se merece!

só eu mesma me mereço
e é bom recomeçar daqui,
me merecendo!

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017



..., esquisito!
sinto solidão e desespero ali dentro!
templo, tempo de concreto,
formas, púlpito, ternos e gravatas,
louvores
louvor ao custo total
e o lucro?
mais vidas? mais almas pro senhor?
e a minha alma? e a sua alma?
e a alma da minha amada
q só por ser “a”
não vale à pena, nesse caso,
seguir mandamento de amar

almas que amam
não cabem nesse reino
almas que amam
não cabem em nenhum pegureiro
almas que amam
não cabem nesse contexto
de amor que vale menos q dinheiro
almas que amam...

te aborreço!
eu sei que te aborreço.

quanto a gente custa?
quanto vale o sangue da cruz?
de quanto sangue mais você precisa pra só amar? 

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

exu do povo de rua

a gente se encontrou mais ou menos em setembro
e, desde lá,
um olho do mundo que
eu nunca tinha percebido
um olho do mundo,
um olho do mundo que estava dentro de mim
se abriu...

exu do povo de rua

exu do povo de rua
e a gente se entendia
se ensinava, se via uma na outra
tão diferentes
uma com um pouco demais
outra com muito pouco!
nas duas vontade
e fé de abrir caminhos

a gente quer mesmo
comércio
comer sim já que
tem fome que não passa
a de estômago, a de classe
a de cor

privilégio

que me faz arrastar pendurada
num arame farpado de uma fé
que não me deixa tocar a lama,
como não? se é lá que nasce toda vida...

a insistência por essa brancura
faz arder meus olhos astigmáticos demais
pra esse tipo de claridade
privilégio que me faz negar ancestralidade e,
se eu não me vejo,
nunca sinto cura
disso tudo que me rouba de mim

eu e ela
e o povo dela de rua
e o meu que não perdoa
o povo de rua

exu do povo de rua
e a gente se entendia
em gira em roda
em caminhada longa
e ela com 1 dia de resguardo

exu do povo de rua
e a gente se entendia

ela riscava o chão
eu também
desde minina
fazia altar com pedra e graveto
e nem sabia

ela agachava e conversava
e acocorada mesmo
dava de comer pras criança dela:
ana, vitor e
aquela efraim, nicole, agora, dalila
na barriga!

exu do povo de rua

e agora?
eu lembrando de você
me sustento!

laroyê!

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

ela saía de casa cedo
todo dia às sete
carregava bolsa, blusa, crachá
documento
que era único jeito de existir
até pro motorista do ônibus

quando chovia
se atrasava e patrão brigava
-mas a creche tava alagada e eu num tinha onde deixar as crianças
-num adianta!
essa gente
sempre arruma desculpa pra preguiça.

o café, às vezes, tirava preguiça dela
mas num dava aquele pouquinho de coragem
que ela queria pra sonhar.

pensava que num queria ter que passar a vida toda servindo patrão estupido.

e aquelas pedra tudo no meio do caminho
dizendo que era pra ela tá lá, carregando balde e vassoura.
não!
não não e não!
joga a vassoura e arruma confusão
grita, saiu que nem uma louca,
mas guarda o crachá porque
gostava desse lance de identificação.

-tá vendo?
-a gnt tenta ajudar, mas essa gente...!
-trás lá o catálogo novo?

e aquele tanto de pedra do meio do caminho

imprimiu uns currículo foi procurar emprego
e se inscrever em outro catálogo
queria estudar pra não ter vaga só nos trabalhos gerais
queria ser psicóloga e cuidar de crianças

mas aquele tanto de pedra no caminho

daniel chegou com a massa da boa
oferecendo pra ela vender e se erguer
- quero voltar pra essa vida não mano,
mas já que to sem saída,
passa aí! é só!

e assim seguiu até que todas as pedras no caminho fossem sendo fumadas
uma a uma

já sem documento, já sem nome, cartão, benefício do cras,
tudo pro imbecil do daniel
e agora?
ela sem bolsa?
sem documento?

foi encontrada morta, queimada
ali, perto dos eucaliptos e foi enterrada como
indigente.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

ampulheta

a areia que conta o tempo,
escorrendo desse triangulo pro outro,
solidificando vai e parando,

deixando essa noite sem fim de você não tá aqui.