quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

acordo com um contentamento pouco,
esse de respirar, que é tão muito que é tudo
tudo tentando caber dentro desse pouco,
caixa, corpo, torax,
minha nuca arrepiada com o toque dela
e esse arrepio vira febre, doença
anticorpo perde a batalha
e corpo, caixa, pouco
se entrega!

já que fudeu tudo
eu sou a minha opção,
né kessy?

e assim inicio esse ano primo:

longe dos meus mais queridos
cabendo lugar pra família sem pai,
cantando e redescobrindo essa caixa, torax
corpo, voz, que sai e alimenta minha desagonia
de viver
e paz.

o mar todo dentro dessa insignificante e minúscula caixa
cheia de fósforos, talvez
cheia de pequenos corpos micros
formando corpo que carrega
alma, que carrega
espírito e é todo o mar
cabendo e se ajeitando e tendo que caber
se encaixar?

ah, por favor, deixa que eu mesma decore a caixa
tipo as águas, de tudo que é rio,
cobrindo o mar, sem formar, sem rotular...
sendo isso tudo que é o mar

e sendo esse tanto de coisa que anda me cabendo
sapatão, mulher, artista, crente e filha,
vou me gostando e me vendo e me tocando
e tocando e me amando sem mais
tanto medo de amar.

e uma brasa viva
[daquele seu altar, fernanda,
erigido em cima da pia do banheiro]
toca meus lábios
e eu já sem culpa
fico aqui disponível
eis-me aqui
todinha disponível
que nem isaías da bíblia

porque

não sou eu que me caibo
é eu sou que cabe em mim