quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Adelaide, minha desconhecida Araguaia

Adelaide, 
no trem me olhou
uma vez, duas, três vezes
caracas, eh sério?
no primeiro impulso 
tive vergonha 
mas logo vi q ela
tava me achando bonita
eita Daniela, olha pra ela!
[ela q sempre rima com seu nome]

olhei e ela fugiu o olhar 
eu bem atrevida
insistia olhando

uns trinta e oito ou quarenta
talvez, 
linda, olhos não grandes
bem abertos, assustados 
pele clara e já com rugas aparentes
q as deixavam mais linda
a blusa verde, desabotoada 
revelava um colo cheio de sardas
e histórias de um céu pontilhado
de desejo nunca antes 
habitado pelo prazer

me senti capaz de voar bem
longe até alcançar aquele
céu e beija-lo!

ela me olhou pelo vidro
eu olhei, ela disfarçou 
e eu ousei, 

a porta do trem abriu
e a coragem vontade só aumentava 
eu tinha duas opções:
o lugar que acabava de ficar vago perto dela
ou um lugar em algum espaço desse meu
mundo q estava tão vazio e ansioso 
pelo desconhecido e atraente presente 
q se apresentava! 

qual seria meu lugar nisso tudo? 

sentei do lado dela
[um lugar legal pra comecar]

e a gnt se conheceu
uma vida toda em apenas 2 horas
trocamos poucas e desnecessárias palavras, 
a pele, os lábios, os dedos
o cheiro, o pescoço, os suspiros, cada gota de suor 
e toda água daquele mar araguaia 
se derramavam e me jorravam regando 
minhas curvas e funduras e fazendo brotar
uma flor bruta q se desabrocha 
como o ramo de oliveira no deserto
se deixando levar pelas águas 
que cobrem o mar.

p.s.: a gnt não compartilhou redes sociais, 
nem telefones, nem ceps ou sobrenomes, 
mas durante toda a nossa vida teremos 
2 horas de eterno e puro prazer!